Adolescentes estão desenvolvendo perda auditiva precoce, segundo estudo

Metade dos jovens consultados tinha notado a presença de zumbido nos últimos doze meses

A perda auditiva se relaciona, mais comumente a idades mais elevadas, por isso grande parte dos idosos sofre com problemas de audição. Mas fonoaudiólogos e outros especialistas que estudam o ouvido têm se preocupado com os altos índices de problemas auditivos, que estão ficando cada vez mais recorrentes entre os jovens que já apresentam problemas que só eram esperados em pessoas acima de 60 anos.

A longa exposição a ruídos muito intensos e a ambientes que possuem sons demasiadamente elevados, como os que existem em shows e baladas, é muito prejudicial à audição de inúmeros adolescentes e jovens adultos que costumam frequentar esses lugares. Além disso, há um vilão ainda pior: os fones de ouvido. Eles conduzem o som diretamente para o ouvido humano. Se o volume estiver muito alto, irá prejudicar e causar sérios problemas à audição. Com o uso diário e inadequado dos fones, deixando o volume em um nível sonoro acima do recomendado, que é de 85 decibéis (dB), ocorre um ataque direto à saúde auditiva, e, com o uso prolongado, o ouvido, gradativamente e de modo cumulativo, será lesionado a ponto de provocar danos irreversíveis. Se os jovens permanecerem se sujeitando a ruídos e sons elevados poderão apresentar, em breve, perda de audição precoce por volta dos 35 anos.

Um estudo realizado por pesquisadores da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (APIDIZ), da Faculdade de Medicina da USP, com auxílio da FAPESP, divulgou preocupantes resultados em 170 adolescentes, entre 11 e 17 anos, que realizaram testes auditivos. Foram consultados em um questionário que investigou se os jovens sentiam o zumbido nos ouvidos, e, em caso afirmativo, qual era a frequência, duração e intensidade. Constatou-se, como resultado desse estudo, que 54,7% dos jovens consultados, nos últimos 12 meses, tinham notado a presença do zumbido. Os números alarmantes surpreenderam os especialistas, que esperavam um resultado semelhante a 37% de uma pesquisa feita no ano de 2007. Muitos jovens revelaram no estudo que não se incomodam ou até acham normal a incidência do zumbido. Por isso, muitos pais não tomam conhecimento do problema e não procuram a ajuda médica para seus filhos.

A utilização assídua dos fones de ouvido com um grau elevado de sonoridade é um dos principais fatores que causam o zumbido. E, apesar de muitos jovens não se preocuparem ou não terem conhecimento do quão sério é apresentar essa anormalidade no ouvido, é fundamental que o zumbido seja tratado o mais cedo possível para que se evite a perda de audição precoce.

O zumbido contínuo nos jovens demonstra uma fragilidade do ouvido e é um sinal de alerta para o risco da perda auditiva que, possivelmente, pode estar em sua fase inicial. Com isso, o jovem pode começar a ter seu sono, concentração e comunicação afetados, o que interfere nos estudos e geram grandes prejuízos. Com o tempo, a vida pessoal e profissional desse jovem, que se tornará adulto, será comprometida antes mesmo da terceira idade.

Graças ao desenvolvimento avançado da medicina, hoje é possível amenizar os problemas auditivos. Desde o zumbido até as severas perdas da audição podem ser atenuados com diagnóstico precoce e acompanhamento clínico e, em casos mais graves, com o uso de aparelhos auditivos.

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