Aumento da população idosa pode impactar no valor de benefícios

Atualmente os idosos são 10,3% da população, em 2050, serão 29%

O Brasil caminha para se tornar um país de idosos. Em 15 anos, a população com 60 anos ou mais será maior do que a de crianças com até 14 anos. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a mesma pesquisa, a principal fonte de rendimento de 74,7% dos idosos é a aposentadoria. E, com o grande crescimento no número de beneficiários dessa renda, o cenário torna-se preocupante. 

De acordo com especialistas, o fenômeno está relacionado a aspectos demográficos e também ao aumento da longevidade. “Com a redução da taxa de fecundidade e o nascimento de menos crianças, aumenta a proporção de adultos e idosos. Atualmente, os idosos representam cerca de 10,3% da população. Mas, em 2050, eles serão 29%”, afirma Renato Follador, autor do livro Previdência Complementar: um plano solidário sem risco para o patrocinador.

O maior problema é que as políticas públicas não acompanharam essas mudanças. “Cerca de 70% dos 31,3 milhões de aposentados do Brasil recebem apenas um salário mínimo por mês. A evolução desse quadro, nas últimas décadas, mostra que a Previdência Social vai pagar, no máximo, uma aposentadoria básica de três salários mínimos no futuro, o equivalente a R$ 2.364, aos seus beneficiários”, diz Follador.

Segundo o advogado especialista em Direito da Economia pela Fundação Getúlio Vargas, Eurivaldo Neves, com um número maior de beneficiários, a redução dos valores da renda é inevitável, mas ineficiente para equacionar o problema. “Outros artifícios redutores, como o estabelecimento de idade mínima para aposentadoria, serão cada vez mais usados. E eles são necessários para equilibrar essa balança”, diz.

Para fazer frente a essa nova realidade e evitar uma redução drástica no padrão de vida, na aposentadoria, a previdência complementar é uma alternativa. “Hoje em dia, precisamos pensar em ter planos de Previdência Complementar e, além disso, investir em outras formas de renda. Só assim será possível garantir uma aposentadoria tranquila”, indica o economista Erico Marques, coordenador do curso de finanças da Universidade Federal do Ceará.

O economista afirma, ainda, que é preciso construir um patrimônio que dê segurança ao investidor, caso as despesas da aposentadoria sejam superiores ao planejado. “Parte do dinheiro que você ganha hoje precisa ser aplicado de forma inteligente e destinado ao seu futuro”, reforça.

 

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