Comprar para compensar frustrações pode levar ao endividamento

Pesquisa revelou que 59% dos entrevistados já compraram algo pensando “eu mereço”

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), junto com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), nas 27 capitais do Brasil revelou que 59% dos entrevistados já compraram algo pensando “eu mereço”, mesmo sem ter condições financeiras para arcar com a compra. A conclusão foi que recorrer ao consumo para satisfazer vontades pessoais é o que os consumidores mais fazem, especialmente nas classes com menor poder aquisitivo.

A mesma pesquisa mostrou ainda que seis em cada dez entrevistados (62%) já pensavam nas compras supérfluas mesmo antes de receber o salário do mês. Especialistas alertam para o perigo desse tipo de comportamento, já que recorrer ao consumo para compensar situações de carência ou tristeza pode gerar um rombo nas contas e não satisfazer os sentimentos, o que aumenta cada vez mais a necessidade por esse tipo de comportamento.

Vale mesmo a pena?

Os especialistas concordam que antes de qualquer compra, seja por impulso ou necessidade, o consumidor deve avaliar o seu orçamento. Segundo Alexandre Sassaki, doutor em administração pela Universidade de São Paulo e professor do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração, só assim o consumidor saberá exatamente o quanto poderá extrapolar nas compras esporádicas. Assim, o prejuízo da compra será o menor possível.

“Uma dica é checar se a compra pode ser adiada. Em caso afirmativo, possivelmente o produto não é essencial. Ter um planejamento e saber se a compra faz sentido dentro dele é uma atitude básica do consumidor consciente”, diz. O administrador também explica que verificar as especificações do produto, ir além do apelo visual das fotos e conferir se o valor ou desconto anunciado é mesmo positivo para o bolso podem evitar que, no final das contas, o barato saia caro.

Outra dica é fugir dos sites de compras pela internet, já que adquirir produtos por meio da rede mundial de computadores é infinitamente mais fácil do que ir à loja física. “Por conta da interatividade cada vez maior na internet, os sites já utilizam mecanismos que induzem o comprador a concluir a compra rapidamente, sem precisar pensar muito”, afirma o educador e planejador financeiro Pedro Braggio.

Tags: consumo emocional endividamento impulso

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