Economize nas férias, sem abrir mão da diversão

É possível relaxar e curtir sem perder o controle financeiro

Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, mostrou que, durante as férias escolares, os gastos com serviços e alimentação disparam, comprometendo 12% do orçamento familiar. A maior parte das despesas vai para as guloseimas. Mas também há um gasto significativo com hotéis, clubes e cinemas.

E não é difícil entender o porquê dessa mudança no orçamento, na época de final de ano. Afinal, é preciso ocupar o tempo livre das crianças. Além disso, tanto os pequenos quanto os mais velhos querem aproveitar para descansar e descontrair nesse período, depois de um ano intenso de trabalho.

A boa notícia é que é possível relaxar e curtir com as crianças sem gastar além da conta. É preciso lembrar que, em janeiro, também chegam as contas de IPTU e IPVA, entre outros. E começar o ano com o orçamento desequilibrado aumenta muito as chances de que, durante o ano, a situação permanece apertada, com muitas dívidas e poucas oportunidades de investir e fazer crescer o seu capital e o seu patrimônio.       

Para fugir dessa armadilha, é fundamental refletir antes de sair por aí gastando sem planejamento algum. “É preciso fazer a si mesmo algumas perguntas importantes e, claro, usar a criatividade para ir além do óbvio, que relaciona a diversão com consumo sempre”, explica Frederico Mendes, professor de economia da Faculdade de Negócios de Belo Horizonte. Ele e outros especialistas em finanças destacam, a seguir, algumas questões que podem nos orientar a fazer despesas com mais critério ou até a eliminar gastos, em programas de lazer bem típicos das férias.

Por que quero viajar?

As viagens de fim de ano são sempre mais caras, porque a procura dos turistas é maior, muito em razão das férias escolares. Porém, se você tem a opção de sair em outros períodos, deve repensar esse gasto. “É preciso saber o que está, de fato, motivando você a viajar. É uma questão de orgulho, apenas para mostrar as fotos da viagem e fazer selfies? Ou esse passeio realmente vai agregar algum valor à minha vida e à minha família”, provoca Mendes. Ele explica que, muitas vezes, ficar na cidade e programar passeios com as crianças, além de sair mais barato, pode ser mais divertido. “Mesmo sem passear, é possível entreter as crianças. Proponha uma sessão de videogame em família, monte um acampamento no quarto ou no quintal. Também vale assistir um filme de terror, com direito a pipoca”, diz.

Já avaliei todas as opções de passeios?

Para quem não vai viajar, a principal orientação é pesquisar, em vez de simplesmente optar pelos passeios mais tradicionais e, geralmente, mais caros. Há, inclusive, muitas atividades gratuitas: peças de teatro, shows e oficinas dentro dos shoppings. Além disso, soltar a criatividade, na hora de inventar programas com as crianças, faz toda a diferença. “Uma ideia é passear com as crianças em um museu e, para ficar mais divertido, levar papéis e lápis coloridos. Assim, elas também poderão fazer arte, observando os quadros e esculturas. Com certeza os pais vão se surpreender com o olhar das crianças, a partir dos registros feitos”, indica Elizabete Duarte, psicopedagoga e coordenadora pedagógica do colégio Nossa Senhora do Morumbi.

Preciso mesmo gastar tanto dinheiro com guloseimas?

É natural abrir um pouco a guarda nos dias de folga e deixar que as crianças comam mais bobagens do que fariam nos dias comuns, quando a rotina impõe horários certos para as refeições, que precisam ser seguidos à risca. No entanto, encher as crianças de guloseimas, fast food e industrializados, além de ser péssimo para o bolso dos pais, faz muito mal à saúde delas. Em vez disso, que tal preparar, em casa, uma receita mais saudável, envolvendo as crianças do início ao fim do processo? “Vale escolher a receita junto com os pequenos, escrever uma lista de ingredientes, levá-los às compras e, claro, permitir que eles participem de algumas etapas de preparação do prato. A experiência com certeza será divertida e ficará guardada na memória”, diz Elizabete. “A cozinha pode até ficar uma bagunça. Mas a refeição feita em casa é mais barata e pode ser muito mais saudável. Basta estabelecer critérios, como a obrigatoriedade de a receita conter pelo menos um tipo de fruta, legume ou verdura”, completa Mendes.

 

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