Em ranking, brasileiro é um dos que menos poupa

Apesar do aumento gradual na expectativa de vida, brasileiros estão entre os que se preocupam menos com aposentadoria, diz pesquisa

Planejar, economizar, poupar e investir: esse é a melhor fórmula para um futuro financeiro tranquilo e saudável, segundo os especialistas. No entanto, um estudo realizado por uma instituição financeira do Brasil mostrou que os brasileiros estão longe desse caminho.

A pesquisa “O Futuro da Aposentadoria – Um Ato de Equilíbrio”, divulgada em 2015, revelou que mais da metade dos brasileiros (53%) não estão e nem pretendem poupar para o momento em que deixarem o mercado de trabalho. Dentre os 15 países pesquisados, o Brasil é o segundo entre os que menos se preocupam com o futuro. Apenas os turcos poupam menos – 59% da população não economizam para a aposentadoria.

O resultado da pesquisa é preocupante, já que a expectativa de vida do brasileiro continua a subir, ressalta Fábio Gallo, professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. “A população está vivendo mais. Nós passaremos mais tempo aposentados e precisamos ter dinheiro para isso. Daí a importância da economia e da contratação de um plano de previdência complementar, já que os benefícios do INSS não serão suficientes para cobrir os gastos”, esclarece o professor.

Mas, segundo o economista Lucas Radd, consultor certificado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF), o brasileiro ainda é muito imediatista. E com a melhoria de poder aquisitivo das camadas mais pobres da população, muita gente ainda está buscando realizar sonhos de consumo – nem sempre com a necessária consciência.

Educação é a palavra-chave para estimular o equilíbrio entre o consumo consciente e a poupança. “Precisamos de educação financeira. Da mesma maneira que conscientizamos a população sobre os malefícios do cigarro ou o risco de dirigir alcoolizado, é preciso entender que sem uma reserva complementar, a qualidade de vida na velhice pode ficar comprometida”, alerta Radd. Segundo ele, hoje, apenas 3% dos aposentados vivem de sua pensão. Os outros 97% dependem de parentes, doações ou precisam continuar trabalhando para conseguir complementar a renda.

Ninguém é jovem demais
Muitas pessoas se acham jovens demais para começar a pensar na aposentadoria, o que é um terrível engano. Quanto mais tempo a pessoa tiver para poupar, melhor. “Faltando 30 anos para a aposentadoria, por exemplo, você pode começar a poupar com apenas R$ 100 mensais e garantir uma boa aposentadoria. Mas, se esperar mais 20 anos para começar, suas contribuições podem pular de R$ 100 mensais para R$ 2 mil, para juntar o mesmo valor”, adverte o especialista financeiro Fábio Gallo.

Tags: aposentadoria educação financeira Fabio Gallo futuro Lucas Radd planejamento financeiro previdência complementar

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