Endividamento na terceira idade: fuja das armadilhas

Empréstimos para terceiros e familiares pode comprometer as finanças dos idosos

Infelizmente, deparar-se com idosos que enfrentam problemas financeiros é muito comum. A falta de planejamento ao longo da vida pode levar a uma situação de endividamento: o gasto elevado com remédios, os planos de saúde mais caros e a grande oferta de crédito para a faixa etária são fatores preponderantes nesse contexto.

Com o aumento da expectativa de vida do brasileiro, o número de empresas interessadas em atrair esse público também cresceu. E entre elas estão as que oferecem empréstimos facilitados aos idosos. “É um público que normalmente tem uma renda mensal garantida, seja ela paga por INSS, previdência complementar ou ambos. Com esse montante, é possível obter empréstimos com menor taxa de juros e até de valores maiores, normalmente consignados, o que reduz muito o risco de inadimplência”, comenta Vinicius Augusto Rodrigues, planejador financeiro certificado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Para o especialista, é aí que mora o perigo. “Como o dinheiro é descontado de forma automática, não há a percepção de que um empréstimo está em andamento, o que pode levar o idoso a contrair novas dívidas”, explica.

Fica em situação ainda mais complicada o idoso que se vale dessa facilidade para conseguir crédito e, em seguida, emprestar o capital levantado a familiares e amigos. “Devido à relação de confiança e à boa-fé, o idoso acaba emprestando o nome. A maior dificuldade é blindar esse vínculo e garantir que a pessoa responsável pela dívida arque com o pagamento”, sinaliza a advogada Flávia Thomaz Soccol, do escritório Bahr, Soccol & Advogados Associados.

Por isso, o ideal é evitar ao máximo fazer empréstimos para terceiros. Em situações extremas, é recomendável firmar um contrato particular, devidamente registrado em cartório, mesmo entre familiares. “Pode ser embaraçoso fazer esse tipo de controle, mas é a garantia de que o idoso terá meios de reaver seu dinheiro caso ocorram problemas”, indica Rodrigues. O planejador financeiro ainda afirma que muitos filhos que pegam empréstimos com seus pais acabam não arcando com as responsabilidades e acham que devem devolver o dinheiro quando (e se) puderem. “Isso gera um grande problema para o idoso, já que o desconto, na maioria dos casos, é feito diretamente em conta, diminuindo a renda”, alerta.

Independentemente do caso, para se organizar financeiramente e não contrair dívidas na terceira idade, é importante fazer um planejamento de gastos e ganhos. “No caso de um empréstimo, seja para uso próprio ou para terceiros, é preciso analisar quais são as condições e quanto ele custará no final. Se necessário, busque informação com consultores especializados”, completa Flávia.

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