Mesmo com orçamento “apertado”, brasileiro mantém otimismo

Muitos gastam mais do que ganham contando que a situação financeira irá melhorar no futuro

Todo mundo já ouviu a história do copo d’água pela metade: ele pode estar “meio cheio” ou “meio vazio”, dependendo do ponto de vista de quem está respondendo. Quando o assunto são as finanças pessoais, independente do cenário econômico, o brasileiro acredita sempre que o copo está “meio cheio”.

Prova disso, é uma recente pesquisa feita pelo SPC Brasil. O resultado mostra que 45% dos brasileiros são gastadores otimistas. Isso significa que, por algum motivo, eles acabam gastando além da conta. Entre os entrevistados, 17% gastam mais do que podem porque acham que sua situação financeira vai melhorar no futuro; 15% extrapolam nos gastos porque têm a esperança de que no final tudo dará certo e irão conseguir um jeito de pagarem o que devem e 13% gastam mais do que podem porque acreditam que, mesmo não fazendo as contas, terminarão o mês com alguma sobra de dinheiro.

E aí que mora o perigo. Quando o assunto é dinheiro, o excesso de confiança no que ainda “está por vir” pode levar a pessoa a fazer más escolhas. “Tristezas não pagam dívidas, mas otimismo também não. Quem está devendo não deve se desesperar e tampouco subestimar os perigos da situação. Gastar tudo que se ganhar como se não houvesse amanhã é um risco para a saúde financeira. Ser realista em relação às suas finanças é o melhor caminho para quem busca equilíbrio na vida financeira”, afirma José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil.

Um outro estudo, este feito pela Universidade de Duke (EUA), também abordou a relação do otimismo com as finanças. Os resultados mostraram que os otimistas extremos passaram mais tempo trabalhando, guardaram menos dinheiro, fizeram mais dívidas e são mais propensos a fumar. Por outro lado, os indivíduos com um otimismo mais moderado, aproveitaram sua visão positiva de futuro para tomarem melhores decisões ao longo da vida, o que resultou numa situação financeira mais confortável. Além de conseguir economizar mais dinheiro, estas pessoas trabalharam menos, fizeram menos dívidas e aposentaram-se mais tarde. O coordenador do estudo, Manju Puri, destacou que o excesso de confiança e uma visão extremamente positiva da vida pode levar a comportamentos que, em longo prazo, são pouco benéficos.

Falta de controle diário
Outro ponto levantado pelo estudo do SPC Brasil é a falta de conhecimento sobre suas despesas. O estudo mostrou que 18% dos entrevistados admitem desconhecer ou saber pouco sobre o valor de suas contas básicas do mês seguinte e 28% mal sabem o valor dos seus rendimentos mensais. Quando o assunto são compras a prazo, as informações também não são muito animadoras: 24% dos entrevistados disseram não saber exatamente quais produtos compraram recentemente no cartão de crédito e que deverão ser pagos no próximo mês. Educadores financeiros são claros nesse sentido: ter consciência de todos seus gastos é o primeiro passo para organizar o orçamento financeiro. O otimismo acaba fazendo o brasileiro “ir gastando”, sem fazer previsões mensais ou anuais.

Otimismo x nível de endividamento
Não é difícil imaginar a consequência de otimismo junto com a falta de planejamento: inadimplência. Sete em cada dez (69%) dos consumidores que gastam mais do que podem estão com a renda comprometida  para quitar alguma prestação nos próximos meses. Em média, cada entrevistado com dívida tem cinco parcelas a pagar e o valor médio de cada prestação é de R$ 257,22. Três em cada dez (29%) dos que responderam o estudo e afirmaram viver além do seu padrão de vida, disseram estar com o nome cadastrado em serviços de proteção ao crédito, sobretudo os da classe C (34%). Em média, o brasileiro demora cerca de 23 meses para sair da inadimplência.

Otimismo no mundo
Média global 56%
Brasil 77%    
Colômbia 88%

 

Questão de prioridade - O brasileiro economiza dinheiro para:
Aumentar seu patrimônio 47%
Investir em uma aposentadoria confortável 44%

   

 

Tags: comportamento economia educação financeira finanças futuro orçamento planejamento financeiro seu dinheiro

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