Mulheres estão mais vulneráveis ao aparecimento de transtornos mentais

Alterações hormonais e eventos importantes, como gravidez e pós-parto podem colaborar para o aparecimento de problemas


Apesar das doenças mentais atingirem tanto homens quanto mulheres, as mulheres apresentam alguns períodos de maior vulnerabilidade para o aparecimento de transtornos. Esses períodos correspondem aos dias que antecedem a menstruação, durante a gravidez e o pós-parto, na menopausa e no climatério. Isso acontece devido à flutuação hormonal característica desses períodos em mulheres predispostas ao desenvolvimento de transtorno mental. Mulheres que apresentaram algum transtorno em alguma dessas fases são mais vulneráveis e tê-los novamente”, afirma Juliana Pires Cavalsan, médica psiquiatra do Hospital Santa Mônica e membro do Programa de Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria da USP. Entenda os problemas que podem se manifestar em cada período:


Tranforno Disfórico Pré-Menstrual
Antes da menstruação é normal e muito comum, a presença de sintomas físicos (dor nas mamas, inchaço, dores de cabeça) e alguns sintomas psíquicos (alguma irritabilidade, tristeza, crises de choro), mas que não incapacitam as mulheres de continuar suas atividades habituais. Essa é a famosa TPM (tensão pré-menstrual). A TPM atinge quase 85% das mulheres, é benigna e não necessita de tratamento.

Já o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) em que há predomínio de certos sintomas psíquicos, como muita irritabilidade, tristeza, sensação de nervos à flor da pele, associados às alterações do apetite e do sono e dos outros sintomas físicos que também estão presentes na TPM. O quadro é grave o bastante para causar prejuízo social, ocupacional e escolar. Os sintomas se iniciam dias antes da menstruação e cessam de forma imediata ou logo depois do início do fluxo menstrual. Estima que até 6,4% da população feminina com idade entre 25 e 35 anos sofrem com esse problema. Junto com o TDPM podem surgir outros transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade.

Gravidez e Pós-Parto
Pouco se fala de transtornos psiquiátricos na gestação. A sociedade dissemina a ideia de que a gravidez é um período de plena felicidade e realização para a mulher. Mas, o que se vê na prática clínica é que as mulheres sentem vergonha de relatar algum sintoma de tristeza e descontentamento com a gravidez por medo do julgamento dos outros. Além disso, muitas queixas das gestantes são consideradas “normais” e atribuídas à gestação, como maior sonolência, maior sensibilidade, entre outros.

No pós-parto ou puerpério, uma condição muito comum é o baby blues. Ocorre nos primeiros dias após o nascimento do bebê e tem duração limitada (até 14 dias). A mãe fica mais emotiva, chorosa, ansiosa e com a sensação de que não será capaz de cuidar do seu filho. Não é necessário tratamento nesse período. No entanto, se os sintomas persistirem ou forem muitos intensos, os cuidados médicos se fazem necessários a fim de diminuir os riscos de suicídio ou até infanticídio em casos mais graves.

A depressão é a doença mais comum nesse período de gestação ou no puerpério. É fundamental que a mãe esteja mental e fisicamente bem para cuidar de si e da criança, conseguir amamentar e criar um bom vínculo afetivo. Bebês de mães com depressão tendem a apresentar pior desenvolvimento neurológico, intelectual e físico. Atualmente, existem medicações que podem ser usadas durante a gravidez e amamentação.

Menopausa e Climatério

Esse período da vida feminina corresponde ao fim da idade reprodutiva e início da senelidade. É uma fase conturbada, pois além das alterações hormonais, normalmente ocorrem eventos importantes na vida das mulheres, como aposentadoria, perda dos pais, saída dos filhos de casa e mudanças corporais decorrentes da idade.

A menopausa é definida como a última menstruação da mulher e o diagnóstico só é feito quando há ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, ou seja, quando a mulher está há um ano sem menstruar. Ocorrem em torno dos 51 anos.

Anos antes da menopausa propriamente dita, os ciclos menstruais já começam a ficar irregulares, é comum a ocorrência de fogachos (ondas de calor), secura vaginal, perda óssea, diminuição da libido, dores musculares, alterações do sono, entre outros. Esse período de transição durante de 7 a 14 anos e começa por volta dos 47 anos de idade.

Nesta fase, temos a falência dos ovários que perdem sua capacidade de produzir óvulos e hormônios, principalmente o estrógeno. Ele age em várias regiões do corpo, inclusive no cérebro, onde contribui para o processo cognitivo e a formação das memórias.

A depressão, muito comum nesse período, causa problemas de memória, por isso é fundamental uma avaliação cuidadosa para a exclusão de doenças psquiátricas, como o Alzheimer. Existem tratamentos específicos para os transtornos de período que melhoram significativamente a memória e a qualidade de vida dessas mulheres.

 

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