Presentes de Natal pesam no bolso dos brasileiros

Com a alta da inflação, preço dos produtos aumentam e expectativa de vendas para o natal são desanimadoras

A corrida para as vendas de Natal começou muito antes do início de dezembro. Em novembro, lojistas e comerciantes já apostavam em estratégias para aumentar o número de vendas e estabilizar a crise no comércio. E não são só eles que fazem planos, o consumidor também está de olho aberto e pretende gastar menos em 2015.

É o caso do funcionário público Antônio Celso, que já sentiu a diferença nos preços. Segundo ele, os principais motivos para a diminuição de presentes seriam a falta de reajuste salarial e o cenário econômico desfavorável, que deixam o consumidor sem escolha. “Por conta da crise somos obrigados a dar uma maneirada no valor a ser gasto. Não existe outra solução a não ser fazer uma pesquisa”, afirma Celso. 

Antônio Celso

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismo (CNC), em 2015, a expectativa do setor de vendas para a data é desanimadora. A entidade revisou para baixo, de 3% para 2,6%, sua projeção de aumento de vendas no Natal desse ano, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Para o vendedor de eletroportáteis, Edimar Tomas, a salvação para muitas lojas foram as promoções realizadas em novembro. “Vendemos bastante durante o Black Friday, superamos as expectativas. Acredito que muitas pessoas aproveitaram para comprar os presentes de Natal, o que de certa forma deixará o movimento fraco”, diz Tomas.

 

Entre os produtos mais procurados estão os de vestuário (67,2%), seguidos de calçados (37%), brinquedos (31,7%), perfumes e cosméticos (27,7%). Em seguida, acessórios, como cintos, bolsas e bijuterias (19,8%), livros (18,8%), celulares (13,9%) e videogames (9%), segundo levantamento realizado pelo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

A professora Mara Mello diz que a solução para esse ano é comprar apenas uma lembrancinha, algo que não ultrapasse o valor de R$50. “Meus filhos são prioridade. Como são crianças, ficam na expectativa da chegada do Papai Noel. Já para os outros parentes, comprarei apenas algo que seja significativo - nada caro”, afirma a professora.

Edimar Tomas

Além da quantidade a ser gasta, o que preocupa os economistas são as formas de pagamento escolhidas pelos consumidores. “O que tem nos preocupado bastante é o aumento no percentual daqueles que pretendem pagar as compras parcelado no cartão de crédito”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. No ano de 2014, o percentual de brasileiros que utilizou o cartão de credito como forma de pagamento foi de 10%. Para este ano, o aumento foi de 4%, ou seja 14%. 

Por outro lado, a mesma pesquisa mostra que 42% dos brasileiros pretendem realizar o pagamento à vista, em dinheiro, o que é um ponto favorável para a economia - principalmente para evitar dívidas. 

Comprar com o 13º

Usar o 13° salário para as compras de Natal pode não ser a melhor escolha. É preciso analisar a situação financeira de cada pessoa, antes de tomar a decisão. “Para os inadimplentes mexer nesse dinheiro pode trazer problemas para o próximo ano. O certo é direcionar a quantia para o pagamento de dívidas. Para aqueles que já estão com as contas em dia, o ideal seria separar uma certa quantia para emergências, nunca utilizar o valor total do 13º com compras”, aconselha Marcela Kawauti.

 

Para não começar o ano novo com as contas em vermelho, a secretária administrativa, Tainara Araujo, prefere realizar as compras ao longo do ano.

 

“Aproveito as promoções ao longo do ano e vou guardando para o Natal. Se for deixar para comprar na véspera, começo o ano endividada e com dor de cabeça”, brinca a secretária.

Mara Mello e os filhos

Comprar com o 13º

Usar o 13° salário para as compras de Natal pode não ser a melhor escolha. É preciso analisar a situação financeira de cada pessoa, antes de tomar a decisão. “Para os inadimplentes mexer nesse dinheiro pode trazer problemas para o próximo ano. O certo é direcionar a quantia para o pagamento de dívidas. Para aqueles que já estão com as contas em dia, o ideal seria separar uma certa quantia para emergências, nunca utilizar o valor total do 13º com compras”, aconselha Marcela Kawauti.

Para não começar o ano novo com as contas em vermelho, a secretária administrativa, Tainara Araujo, prefere realizar as compras ao longo do ano. “Aproveito as promoções ao longo do ano e vou guardando para o Natal. Se for deixar para comprar na véspera, começo o ano endividada e com dor de cabeça”, brinca a secretária.

Dicas para não entrar no sufoco no Natal

Especialistas do SPC Brasil elaboraram algumas dicas para evitar o super endividamento com as compras de Natal. Confira:

- Faça um levantamento de suas dívidas antes de ir às compras, e quite-as com o 13º salário, priorizando as dívidas que implicam no corte do fornecimento do serviço e cobram juros mais elevados;

-Faça a lista das pessoas que deseja presentear fixando um valor máximo para gastar sem estourar seu orçamento. Não se esqueça de somar tudo o que está gastando para evitar surpresas depois;

-Evite parcelar em muitas vezes, pois passadas as festas a dívida continua e pode atrapalhar o planejamento para 2016. Anote todos os compromissos do começo de ano como rematrículas, material escolar, IPVA, IPTU, entre outras despesas já previstas para o período;

-Evite as compras por impulso. Lembre-se que nesta época do ano os incentivos para comprar são muito grandes. Mantenha o controle e não saia às compras sem uma lista prévia para manter o foco;

- Não banque tudo sozinho na ceia de Natal para impressionar os convidados. Isso pode prejudicar o seu orçamento. O ideal é que cada participante leve um prato, bebida ou sobremesa;

- Planeje-se. Não deixe para compras os itens da ceia na última hora porque quanto mais próximo da datam mais caro os produtos ficam. É possível fazer uma ceia farta a um custo razoável, desde que se faça uma pesquisa e as compras sejam antecipadas.

Fonte:https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/noticia/918-dividascontraidasnonataldoanopassadodeixaram17dosbrasileiroscomonomesujorevelaspcbrasil

 

 

Tags: consumo Dívidas e Financiamentos Marcela Kawauti orçamento organização financeira

Veja mais