Resgatar a previdência e investir. Vale a pena?

É necessário conhecimento extra para investimentos arrojados

Muitas pessoas enxergam no investimento em títulos de renda fixa, como o certificado de depósito bancário (CDB) e títulos públicos, e na aplicação em títulos de renda variável, como ações da Bolsa de Valores, o melhor caminho para conseguir um lucro significativo, capaz de fazer aumentar a olhos vistos o capital e o patrimônio pessoal.

Com este objetivo, elas cogitam sacar o valor investido em previdência privada e direcionar o dinheiro a aplicações mais rentáveis. Porém, a iniciativa nem sempre rende os resultados esperados e, por isso, é preciso analisar todas as variáveis envolvidas antes de comprometer o orçamento e a garantia da renda vitalícia ao se aposentar. O educador financeiro Mauro Calil, autor do livro “Separe uma verba para ser feliz” (Editora Gente), é quem ensina o que se deve pesar na balança, antes de decidir.

Os benefícios da previdência
Por ser prática e descomplicada, a previdência privada é o melhor caminho para quem não quer ter trabalho e preocupação na hora de garantir uma vida tranquila no futuro. Isso porque não são necessários conhecimentos aprofundados para investir no fundo.

Além disso, os planos de previdência possuem uma legislação específica, que dá ao participante garantias superiores às dos fundos de renda fixa comuns, o que diminui de maneira significativa os riscos de que o investimento traga prejuízos.

Investimentos arrojados exigem conhecimentos específicos
A maioria das aplicações de renda fixa e variável, por outro lado, exige conhecimento dos investidores sobre o mercado financeiro. Esse expertise é necessário para diminuir os riscos de perder dinheiro com as aplicações feitas. “Tudo o que um gestor de um determinado fundo faz foi aprendido. De forma que um indivíduo comum também pode aprender. Porém, se a pessoa não tiver interesse, vontade e disciplina, fazer por conta própria, sem o discernimento necessário, pode ser muito arriscado”, alerta Calil. Outro cuidado é analisar as taxas de administração cobradas por esses fundos e que podem superar as praticadas pela administradora do seu plano de previdência privada.

De todo modo, caso tenha o objetivo de investir em algum fundo de renda fixa ou variável, o especialista aconselha não sacar todo o dinheiro da previdência de uma vez só, para se arriscar em outros tipos de aplicações. “O ideal é se programar para separar uma quantia extra da sua renda mensal com essa finalidade, mas sem comprometer o pagamento das outras despesas fixas, claro”, indica Calil.

Empreendedorismo também pede cautela
No Brasil, o empreendedorismo é bastante estimulado. Mas cerca de 70% das novas empresas fecham nos seis primeiros anos de existência. Nessa situação, além de perder o dinheiro investido, quem aplicou suas economias no negócio ainda fica com várias dívidas para acertar. Afinal, é preciso honrar os pagamentos dos fornecedores, funcionários e ainda pagar todas as multas previstas em contrato.

Por isso, resgatar o dinheiro da previdência para investir em um novo negócio é, no mínimo, uma decisão temerária. “A pessoa investe em um ponto comercial, gasta com a compra de equipamentos, com reforma, estoque, entre tantas outras coisas. Porém, se o negócio não dá certo, ela acaba sem o capital que possuía no início, já em uma idade avançada. E, nesses casos, a única alternativa para reaver o prejuízo pode ser voltar ao mercado de trabalho, para conseguir se manter”, finaliza o especialista.

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